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domingo, 7 de novembro de 2010

Raul Seixas e Marcelo Nova - Panela do Diabo (1989)

Esses dias me toquei que não havia postado absolutamente nada do Raul no blog até agora!
Então procurei entre meus vinis algum dele pra postar e achei o Panela do Diabo, último disco da carreira de Raulzito, lançado no mesmo ano em que nos deixou, e com a parceria de ninguém menos que Marcelo Nova, vocalista do Camisa de Vênus..que foi e ainda é uma das grandes bandas do nosso país.

A primeira música do disco é uma só com vocais e tem menos de 30 segundos..uma versão dos dois para a música "Be Bop A Lulla".
Colada na que acabei de comentar, temo a "Rock N' Roll" que abre com um riff de guitarra e depois podemos ouvir uma pegada meio de blues e depois a voz de Raul Seixas, já muito debilitada devido a sua doença que o venceria alguns meses mais tarde. As letras desse disco contam histórias dos músicos, na vida pessoal, na profissional e etc. Nessa faixa, por exemplo, Marcelo Nova canta "Eu não podia aparecer na televisão pois minha banda era nome de palavrão", referencia ao nome do Camisa de Vênus, que tinha muita censura na época. Contam também das mulheres, dos fãs chatos e de tudo o que eles passaram desde que entraram no mundo da música e do Rock N' Roll principalmente.
Seguindo, vem a belíssima "Carpinteiro do Universo", de novo temos os músicos dividindo os vocais, como se estivessem conversando e lamentando sobre seus modos de viver, de escrever e de como quiseram levar a vida de um jeito difícil de aceitar. Há um solo de slide muito bonito e muito bem tocado nessa música, com violões no fundo e a voz muito cansada de Raul dando um ar mais melancólico à faixa com as frases "O meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar". Essa música fala, principalmente, do jeito dos dois de sempre procurarem ajudar alguém mesmo nas situações impossíveis.
Outra faixa com um som lento e triste, "Quando eu morri" começa tem a voz de Marceleza e a letra me parece que fala do uso e abuso de drogas de ambos, principalmente por parte do vocalista do Camisa.
"Banquete de lixo" tem uma história bem engraçada que aconteceu com Raul quando estava em Nova York. Estava ele bêbado, como sempre, no meio da cidade e com fome, quando avistou uma lata de lixo e foi procurar o que comer lá dentro, encontrou e coisas que, como disse para Jô Soares, eram muito chiques: Ketchup, coxa de frango e coisas assim, quando de repente aparece um sujeito vestido de palhaço e começa a acompanha-lo no verdadeiro banquete de lixo de Raulzito. Mas a letra não fala somente desse causo hahaha. Raul também canta sobre o seu show em Serra Pelada, quando, minutos antes da apresentação começar, o músico teve uma dor de barriga terrível e foi pro lado de fora pela porta dos fundos do estabelecimento se aliviar no meio da rua, quando alguns fãs o avistaram e foram pedir autógrafos, Raul, com toda sua simpatia, começou a autografar o que eles pediam enquanto relaxava agachado na escuridão do beco onde se encontrava. No meio da música, Raul Seixas manda um abraço e um "até logo" para Marcelo Nova, meio como se fosse uma despedida de verdade..acho que só ouvindo pra você perceber como é triste esse adeus de Raul. Mas a música é muito boa! E quanto a essas histórias, você pode entende-las melhor e mais detalhadamente se procurar pela entrevista que Raul deu a Jô Soares em 89, essa foi a última entrevista de Raul antes de partir.
Um piano da início em "Pastor João e a Igreja Invisível", uma crítica escancarada a igreja, religiões e os pastores pedófilos e ladrões que estão em todo o nosso país roubando todo o dinheiro do povo que faz suas doações com a melhor das intenções. A música é no estilo gospel (não podiam ter achado outro mais apropriado xD) e Raul e Marcelo fazem o papel de pastores nessa música que tem uma letra simplesmente incrível e com um refrão pegajoso que nem Trident quando gruda no canto da nossa boca..e também há um solo muito bom de orgão na música. Versos como "..vendo barato a minha água benta, 3 prestações qualquer um pode pagar" e "O sucesso da minha existência está ligada ao exercício da fé, pois se ela remove montanhas, também trás grana e um monte de mulher". Na minha opinião, essa é a melhor música desse grande albúm e a que tem a letra mais atual.
Mais uma com ritmo lento, a letra de "Século XXI" me parece falar de que o mundo está a mesma merda sempre, não importa a época: "Se você correu, correu, correu tanto e não chegou a lugar nenhum, baby, oh baby. Bem vindo ao século 21"
Outra música muito boa desse albúm é a que falarei agora, "Nuit" começa com a bateria fazendo uma pequena introdução e depois Raul começa com as palavras "Eu, eu ando de passo leve pra não acordar o dia, sou da noite o companheiro mais fiel que ela queria" esse refrão se repete diversas vezes pela faixa que tem uma letra muito boa e é cantada só por Raulzito. E a canção tem também uns backing vocals femininos que dão um lindo toque nela.
De novo temos uma pequenina introdução de bateria em "Best Seller" e um ritmo bem de rock nacional e com as vozes de Raul e Marcelo juntas de novo. Essa música tem um ar bem tranquilo e o ritmo é daqueles que todos simpatizam, com um toquezinho bem de leve do blues-rock nacional que esses caras faziam nos anos 80.
"Você roubou meu vídeo cassete" fala de mulheres muito ciumentas com qualquer coisa, e podemos ver váárias metáforas no meio da composição e uma atmosfera bem engraçada nessa penúltima música do albúm.
A última música desse LP é "Cãibra no pé" tem somente a voz de Marcelo Nova e percebo que meio que ele manda uma mensagem para todos os ouvintes serem rápidos e espertos nesse país em que todo mundo quer levar vantagem em cima dos outros (foi o que eu entendi). "Se você vacilar, neguinho vai chupar sangue do pescoço"

Panela do Diabo é um dos discos mais importantes da carreira de Raul Seixas e Marcelo Nova e, principalmente, um dos discos mais importantes do rock n roll nacional e da música brasileira no geral. Marca o encontro de duas lendas da composição e do rock brasileiro, dois músicos que mudaram o modo de pensar de toda uma sociedade e que trouxeram esse estilo musical maravilhoso para o nosso amado país. Dois baianos que mostraram para todo o Brasil que a Bahia não tem apenas axé e carnaval.


Download do disco

Abraços obesos!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

[Vídeo] The Who - Won't Get Fooled Again



Esse vídeo gravado em 1975 pelo The Who, mostra o baterista Keith Moon em sua última aparição registrada ao vivo com a banda nesse show gravado para o documentário The Kids Are Alright, sobre a história deles.

O vídeo, a banda, a música e a genialidade são coisas que nem sei como vou conseguir colocar em palavras aqui nesse post! Basta dizer que na minha opinião esse é o melhor vídeo que eu já vi no youtube e é, provavelmente, o vídeo que eu mais vi!!
A longa introdução de sintetizadores dessa música só servem pra deixar o público mais eufórico pensando em como será a entrada da banda inteira junta na música, e eles conseguem superar todas as expectativas!
Pete pulando, Keith socando tudo, Roger girando o microfone que nem um lunático e John paradão no canto com seu baixo maciço e característico que fez toda a diferença na sonoridade do The Who e ajudou, em níveis altíssimos, a mudar o jeito que o baixo era visto no mundo.
Mas voltando ao vídeo...nem tenho muito o que dizer (como já mencionei anteriormente) só digo que é uma aula pra todo mundo que quer ver como o rock funcionava antigamente e como que se faziam grandes músicas na época em que nada era comercial ainda. Quando a bateria entra no final da música e mostra para todos o que era um baterista de verdade, você fica até bobo e nem tem tempo de registrar direito o que está acontecendo porque a banda volta a toda com Pete fazendo o famoso"power slide", em slow-motion e ao som do grito aterrorizante de Roger Daltrey que coloca qualquer vocalista no chão e faz lamber os pés.
No final do vídeo temos ainda uma demonstração do feito que fez o The Who ficar conhecido nos anos 60, a destruição do palco e dos instrumentos!!

A energia, criatividade, sonoridade, intensidade e genialidade do The Who é uma coisa que nunca será superada por nenhuma banda, acredito eu.

Abraços Obesos!

sábado, 2 de outubro de 2010

[Entrevista] - Eric Clapton 1968 (PT-BR)



Demorei um pouco pra achar de novo essa entrevista do mestre Clapton que tava meio escondida, mas ta ae, achei.
Nessa entrevista que foi feita em torno de 1968, Clapton fala um pouco dos timbres dele, da pegada, do equipamento e toca um pouco a sua Gibson The Fool maravilhosa para o jornalista ficar babando.
Entrevista da época do Cream, que mostra o Slowhand ainda cabeludo e com bigode (tá mais parecendo o Neil Peart do Rush do que ele próprio) e mostra que mesmo quando tinha espinha na cara ainda, já era um dos maiores guitarristas de todos os tempos.
Ele ainda fala das frases que ele sempre usa nos improvisos e do seu famoso "Woman Tone" e ainda mostra como pode transitar tanto nos solos mais lentos e "suaves" como também nos mais agressivos e pesados, ao estilo The Who como ele mesmo compara.

Abraços Obesos!