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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Jethro Tull - Thick As A Brick (1972)

Bom, havia dito que ia postar um disco aqui da próxima vez e vou cumprir com o que falei.
O disco de hoje é de uma banda que nunca foi tão famosa assim e não está presente na mídia, pelo menos não hoje em dia, mas acho que todos já ouviram falar pelo menos alguma vez, o Jethro Tull.
O inglês Ian Anderson formou a banda em 1967, e de lá pra cá, já houveram diversas mudanças na formação e na sonoridade da banda, mas nunca afetando na sua qualidade ou essência, se é que da pra entender o que eu falo.
O Jethro Tull é uma banda que eu nunca consigo e nem nunca conseguirei classificar em algum gênero, alguns dizem que é progressivo, nem ferrando. Outros dizem que é folk, também não é. Há quem diga que eles tem um pouco de blues em sua mistura. Sim, de fato há isso, mas na verdade o Tull se classifica nesse gênero: mistura. Não há um albúm que não possa perceber-se uma variedade ou influência enorme de estilos, sons e instrumentos diferentes, o que e enriquece e dá uma originilidade incrível para a banda.
O albúm postado aqui agora é um dos grandes sucessos da banda, e não é o Aqualung, haha.

"Thick as a brick" é o disco sucessor do arrebatador "Aqualung", que jogou a banda para o reconhecimento artístico no final da década de 60 e começo da 70.
Como uma espécie de resposta para os críticos que disseram com fervor e certeza que o albúm antecessor da banda era um albúm conceitual, quando na verdade não era, Anderon e seus companheiros de banda decidiram fazer um albúm que girasse inteiramente em torno de um conceito.
Conceito esse que é baseado no poema de um garoto fictício que teme as mudanças que podem ocorrer em sua vida conforme vai envelhecendo, chamado Gerald Bostock, criado pelo multi-instrumentista, vocalista e dono da banda, Ian Anderson. O fato do flautista ter creditado todas as letras do albúm como sendo dele e de Gerald Bostock, só alimentou as crenças de que o garoto, de fato, existia. O que, diga-se de passagem, ainda há quem acredite que ele existe mesmo.

O fato de eu estar falando mais da letra do disco do que de sua música é meio incomum, geralmente eu falo mais sobre a música e quase nada de sua letra. Mas como esse é um albúm conceitual, sua letra é de extrema importância para poder se aproveitar ao máximo a experiência de ouvir tamanha fusão musical criada pelo grupo.
Mas já que é pra falar da música no geral, vou tentar dar uma rápido e completa explicação, tarefa muito difícil, já que o disco possui apenas uma música! Sim, apenas uma música com 40 minutos de duração e que é dividida em duas partes. Hoje em dia um disco desses não seria nem ouvido pela gravadora, mas na época chegou a ficar várias semanas no topo das paradas estadunidenses e ao redor do mundo.
Pra falar a verdade eu sou um cara meio chato quando o assunto é músicas demasiadas longas, você começa a ouvir e, mesmo se ela for boa, chega uma hora em que você já parou de prestar atenção há um tempo e acaba perdendo as melhores partes. Claro que há as genialidades a parte (Echoes > Pink Floyd; Mountain Jam > The Allman Brothers Band, etc) mas às vezes temos que concordar que muitas músicas épicas tem uma duração muito desnecessária.
Voltando ao disco, não consigo explicar o que Thick As A Brick tem, mas ele te prende de uma forma realmente interessante e você acaba ouvindo o disco inteiro e nem vê o tempo passar, as bases simpáticas e grudentas feitas no violão no começo, o peso do rock no meio, oscilações entre calmo e "nervoso", tudo isso contribui de um jeito magnífico no resultado final desse albúm único e maravilhoso, de uma banda que, com o tempo, acabou ocultando-se, mas que ainda hoje tem uma vasta legião de fãs fiés ao redor de todo o mundo, inclusive aqui, Brasil.

Se você detesta músicas longas, albúns conceituais e todo esse tipo de coisa, nem pense em baixar esse albúm. E também não o baixe achando que é algo progressivo à lá anos 70, é simplesmente um orgasmo musical com tudo o que se tem direito a ouvir e mais um pouco. Nada mais.

Download do disco

Abraços Obesos

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Kind Of Blue - Miles Davis


Este álbum é sem dúvida um dos melhores da história do jazz.Foi lançado em 1959 e foge do estilão hard-bop, cheios de progressões incomuns de acordes e improvisação, rotineiros dos discos anteriores de Miles Davis.Dessa vez todos os músicos possuiam uma partitura para seguir (apesar de existir algumas improvisações).

Um ponto importantíssimo sobre o disco é a perfeita "escalação" dos músicos.Temos presentes:
Miles Davis - trompete
Julian "Cannonball" Adderley - saxofone alto
Paul Chambers - contrabaixo
Jimmy Cobb - bateria
John Coltrane - saxofone tenor
Bill Evans - piano

A primeira música é So What,dividida em duas partes:uma mais rápida no começo,marcada pela simples e impactante linha de baixo de Paul Chambers.Depois vem uma parte mais devagar, com uma "briga" entre Miles, Cannonball e Coltrane.
Posteriormente vem Freddie Freeloader trabalhada em cima de um típico blues, com deliciosas melodias criadas por Bill Evans.
O disco termina com Flamenco Sketches, escrita por Evans.Ao passar a partitura aos músicos, cada uma vinha com um bilhete: improvise pouco e somente em cima destas escalas, senão sem pagamento!!

Este álbum é tão sensacional que não influenciou apenas músicos especializados em jazz, mas também muitos rockeiros e blueseiros.Muitos Músicos dos anos 60/70 citam este disco como uma de suas grandes inspirações para improvisar.
Artistas como Duane Allman, Richard Wright, Quincy Jones e Chick Corea dizem que apesar do disco ter 51 anos, parece que acabou de sair do forno.

Kind Of Blue está na lista dos 1001 discos para se ouvir antes de morrer, além de ser considerado um dos 10 discos mais importantes da história do jazz pela revista Billboard.

O download que deixarei aqui para vocês é o da edição comemorativa de 50 anos, cheio de extras e out-takes!

Download do disco

Abraços obesos!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Tom Jobim - Passarim (1987)

"Passarim quis pousar, não deu, voooou.."
Com esse verso que começa um dos discos mais marcantes da carreira do monstro, do gênio, do professor, do bohêmio, do nosso maestro soberano Tom Jobim e da nossa música, um albúm elegante,requintado, belo e ao mesmo tempo popular, relaxante, largado e alto astral em todas as canções.
Nesse albúm lançado em 1987, Tom já era um compositor consagrado no Brasil e no mundo, então pode fazer esse albúm sem medo de críticas severas, e acho que ele e toda a banda imaginavam que se tratava de um disco que seria referência quando se fala de bossa nova e música brasileira.
O clássico abre com outro clássico, "Passarim", música cheia de backing vocals femininos (parentes de Tom) que dão um ar muito de "infância" e nostalgia na música (pelo menos em mim). Tom era um amante assumido da natureza e frequentador assíduo do Jardim Botânico, no Rio, e compôs "Passarim" ( e tantas outras) como um protesto e homenagem à natureza.

O clima alegre e calmo prevalece em todo o disco e pode-se perceber isso na faixa seguinte, "Bebel" que começa com a voz grave e rouca e Tom Jobim e um backing vocal bem leve ao fundo. "Bebel" tem um ar de amante apaixonado típico da bossa e com um instrumental incrível e letra maravilhosa de Tom.
As vocalistas começam a cantar "Borzeguim" que tem uma batida que mescla entre o samba, a bossa e outros ritmos brasileiros, tudo feito principalmente pelo triângulo!
O disco segue com a minha preferida, "Anos Dourados", cantada por ninguém menos que o mestre Chico Buarque De Hollanda. Essa parcerial monstruosa e ao mesmo tempo incrívelmente linda é um dos marcos do disco. A canção foi tema da minissérie Anos Dourados, que foi ar pela Rede Globo pela primeira vez em 1986. Uma curiosidade engraçada sobre a música: Tom Jobim ficou encarregado de fazer a música enquanto Chico ficaria com a letra dela e ambos deveriam entregar a coisa completa um mês antes da série ir ao ar, mas as coisas não foram assim. Tom conseguiu terminar a música a tempo e entregou-a no prazo, mas Chico aparentemente se enrolou com as compromissos, discos, shows, bebedeiras e etc e só entregou a letra um mês DEPOIS que a minissérie já havia acabado. Resultado: Na abertura do programa era tocado apenas a versão instrumental e só nos relançamentos posteriores é que colocaram a versão completa.
"Isabella" e "Fascinatin' Rythym" tem as suas letras em inglês e no mesmo estilo do resto do disco, alegre, descontraído, calmo e elegante e com os vocais feminimos muito bem afinados e que dão mais um ar fino ao albúm. As batidas de bossa ficam mais destacadas em algumas canções, em "Fascinatin' Rythym" você consegue perceber isso. Chansong começa com o instrumental e vocais feminimos característicos, quando Tom entra com a voz (em inglês também) e piano, a atmosfera muda um pouco e você consegue perceber a mescla entre bossa e jazz que faltava no disco. "My life is such a mess, let´s have a Brahma"  haha..
"Samba Do Soho" tem uma levada bem mais do samba e com letra e vocais de Paulo Jobim.
Os vocais femininos continuam nesse samba aprimorado e elas casam melhor ainda com o estilo que está sendo tocado, há ainda solos de violoncelo, arranjos belíssimos na flauta e um clima bem reconfortante.
"Luiza" chega com seu piano melancólico e a voz de Tom prevalece nessa música que tem um cenário mais triste, mas, por incrível que pareça, você consegue sentir a tranquilidade e alegria de Tom ao gravar esse disco, não sei explicar isso, posso estar falando bobagem pura mas é o que eu sinto ouvindo ela.
Danilo Caymmi canta "Brasil Nativo" com sua voz grave e marcante que dá um toque marcante na música e no disco em si, em mais uma música com vocais femininos (mais graves dessa vez) e uma levada que mistura de novo samba e bossa.
As mulheres puxam "Gabriela" que vem para fechar o disco de forma surpreendente e se você não ouvir ele pelo menos mais uma vez cada música durante o dia, você não vai conseguir dormir direito (sério) e se você não gostou do disco e de nenhuma música que contém nele, então você pode bater o seu ouvido em cima de uma faca de cozinha repetidas vezes, porque você não merece ouvir mais nada!! (mais sério ainda hahahaha)

Download Do Disco

Abraços Obesos!