Aqui está outro disco do D.A.C, mas dessa vez é um albúm solo e o primeiro de sua longa carreira
Em Penitentiary Blues, o músico de outlaw country se revela, na verdade, um músico de blues. Foi após esse albúm que ele começou a puxar suas músicas e composições para o country, apesar de suas letras sempre terem a mesma estrutura.
Tendo lançado dezenas de albúns ao longo da vida, o cantor sempre compõe com bastante humor e sempre ligando ele a coisas "fora-da-lei", daí o nome outlaw country (obviamente).
Bom, mas pra começar a falar desse albúm de blues que é de uma lenda viva do country/blues, eu digo que não há muito o que dizer sobre esse albúm, não é um albúm que marcou muitas vidas, salvou relacionamentos, inspirou pessoas ou vendeu zilhões de cópias. Esse disco é simplesmente uma modesta gravação de blues, sem nada de muito especial ou super foda.
E é isso mesmo o que faz diferença, pelo menos nesse blog..
David Allan Coe deixou uma esse LP com um jeito tão simples e cool, como se ele quisesse simplesmente gravar o seu blues sem mais nada pra atrapalhar, como se estivesse querendo se livrar de seus demônios ou apenas falar o que sentia ou gostava através da música. Sim, isso é uma coisa que todos os músicos fazem..mas acho que a maioria se esquece que muitas vezes o que é simples é tão bom quanto o que é cheio de firulas e nunca dão o merecido valor a discos e artistas como David Allan Coe.
Nessa gravação que foi feita entre 1968/1969, podemos ver não apenas o blues seco, puro com o qual devem estar imaginando, em músicas como "Penitentiary blues" podemos ouvir um blues daquele tipo os de salloon, com pianos de fundo e guitarras calmas mas com muito sentimento. Em "Cell 33" temos um blues que lembra muito aquele blues inglês dos anos 60, de bandas novas que surgiram na época..a mistura do pop com o blues.
"Monkey David Wine" é um blues típico, com uma gaita continua no fundo e um slide que vai acompanhando a voz agitada de D.A.C.
Em "Walkin' Bum" temos um som que me lembra um pouco Little Walter e Muddy Waters, a voz de Coe cantando e a gaita plugada num amplificador valvulado que faz até uns solinhos mais longos durante a música, apesar de ser simples a gaita, como eu falei...o que é simples é tão bom quanto as firulas. hahahaha
Não vou ficar aqui falando quais são os músicos que tocam com D.A.C nesse albúm, porque são vários..só de guitarristas e gaitistas nós temos seis, ainda com baterista, pianista, baixista e David nos vocais.
Em "One Way Ticket To Nowhere" temos uma introdução puxada pelo baixo e seguida pela gaita que com toda certeza tem uma influência de Sonny Boy Williamson. A voz e a guitarra entram juntas e você agradece a alguma força superior pela existência dos amplificadores valvulados e se pergunta "por que hoje em dia eles são tão caros e impossíveis de se achar?!" hahahahaha
A letra de "Funeral Parlor Blues" me lembra MUITO a de "St. James Infirmary", música famosíssima estadunidense que ficou conhecida por todos na voz de Louis Armstrong, a música lembra bastante essa interpretada por Armstrong, tirando as referências à cocaína no meio da letra! A música tem uma ar muito familiar, daqueles blues bem clichês..mas depois ela segue bem diferente e os teclados prevalecem nela.
"Death Row" é tão inspirada em Muddy Waters que só faltou o próprio fazer uma participação no meio, solando com seu slide. Uma música que tem um solo de guitarra muito agradável e simples, como se tivesse sido tocado com uma guitarra de marca bem inferior, apesar da qualidade do guitarrista ser bem elevada.
Pra falar a verdade acho que todos os instrumentos desse disco não deviam lá ser Fender ou Gibson, me parece que todos os músicos deviam estar na pior e nem tinham coisa de qualidade pra fazer música, mas fizeram bem como ninguém.
"Oh Warden" é uma canção pra se ouvir quando se está na pior , e isso acho que dá pra ficar claro logo no começo, quando o slide puxa a voz de Allan Coe, uma gravação muito singela e reconfortante, com bateria e uma guitarra base fazendo a base mais simples de blues que se pode imaginar e só os vocais, gaita e slide guitar se ressaltando, outro blues típico perfeito para se ouvir quando se está na merda.
em "Age 21" temos uma harmonica bem acentuada e novamente se intercalando com a voz de David enquanto guitarra, baixo e bateria fazem uma base muito modesta..
"Little David" segue um estilo parecido com o de suas antecedentes, um blues com bastante gaita e a completa ausência do country pelo qual o músico ficou conhecido nos EUA.
E para terminar esse albúm, o músico toca outro blues pra lá de modesto em "Conjer Man", mas com uma gaita cheia de feeling para o deleite de nossos ouvidos.
O que eu poderia dizer desse disco que fiz questão de não criar nenhuma expectativa em alguém que esperava um super disco?
Que é o tipo de disco perfeito para você ouvir quando está se sentindo mal por alguma coisa..mas também é perfeitamente aceitável ouvi-lo quando se está incrivelmente feliz com algo.
Com seu blues modesto e calmo, esse albúm de David Allan Coe te anima até quando você achava impossível isso acontecer em algum momento e também te acalma quando você acha que tudo vai desmoronar em cima da sua cabeça. Talvez seja esse o segredo das coisas simples nos agradarem tanto, não precisamos pensar ou prestar muita atenção nos detalhes pra saber quão maravilhosas elas são.
Download do disco
Abraços obesos!!
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
David Allan Coe - Penitentiary Blues (1969)
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Easy Rider - Soundtrack (1969)
Os anos 60 mudaram o jeito do mundo ver as coisas, não importa se você é conservador ou radical, a opinião de todos os que viveram nessa época maluca mudou drasticamente em relação a sexo, drogas, guerras, preconceito e claro, a música. Uma enorme fatia da "culpa" dessa mudança toda, se deu claramente ao surgimento da contracultura, movimento criado pelos jovens do pós-guerra que estavam cansados do conservadorismo padrão imposto pelos americanos e queriam dar um fim em todo o preconceito racial e social com os quais estavam costumados e protestavam frequentemente contra as guerras, principalmente a do Vietnam.
E o filme Easy Rider, dirigido e co-estrelado por Denis Hoper, mostra exatamente o que foi a contracultura ao contar a história de dois amigos que saem pelos Estados Unidos em cima de suas motos para chegarem ao Mardi Gras, espécie da carnaval estadunidense que ocorre todo ano em Nova Orleans. Durante as viagens e tomadas gravadas na estrada em cima das motos, podemos ouvir um verdadeiro festival de pérolas da contracultura americana sendo executadas, de Steppenwolf até Jimi Hendrix passando por The Byrds e The Weight.
No filme ainda temos a presença de Peter Fonda, que estrela o filme ao lado de Dennis Hoper, e do mestre Jack Nicholson que faz o papel de um simpático e ingênuo advogado que os acompanha na viagem durante parte do filme em uma atuação que quase lhe rendeu prêmios de ator revelação do ano de 1969.
Na trilha sonora começamos com a lenta "The Pusher", do Steppenwolf, música que abre bem o disco e o filme já que fala dos traficantes e dos muitos usuários de drogas psicodélicas da época. Com um riff bem marcante e um ritmo muito tranquilo com a voz rouca de John Kay, a música tem um peso perfeito e com uma letra bem polêmica pra época : "You know I've smoked a lot of grass/O' Lord, I've popped a lot of pills".
Na sequencia temos outra do Steppenwolf, essa é praticamente impossível alguém nunca ter ouvido, "Born To Be Wild" é praticamente um hino desde a época em que o Steppenwolf a lançou, nem vou comentar sobre esse clássico porque todos já ouviram pelo menos uma dúzia de vezes na vida! E não, você nunca enjoará dela hahahaha.
Mais uma com a cara dos anos 60 aparece, o The Weight toca a cool "Smith", cheia de backing vocals com um piano de fundo bem agradável..pra falar a verdade toda a música é muito agradável, daquelas que você pode fechar os olhos e se imaginar numa estrada ensolarada dirigindo sem rumo.
Uma das faixas mais marcantes do disco vem com o The Byrds e sua canção "Wasnt born to follow", música que abre com um riff bem amigável e mais uma vez nós vemos uma música muito agradável de se ouvir, com vocais divididos em mais uma canção que se pode imaginar viajando por uma longa estrada.
A completamente sem noção"If you want to be a bird", do "The Holy Modal Rounders", apesar de ser uma música muito lunática devido a sua letra sem nexo, é ótima e engraçada, principalmente na cena do filme..com Jack Nicholson imitando um passarinho em cima da Harley-Davidson no meio da estrada.
A cheia de slides "Don't Bogart Me" do Fraternity Of Man, vem novamnte com uma letra falando de drogas, mas especificamente da marijuana, outra música que contém um tema que é um tabu e consegue ser engraçada e ao mesmo tempo não ser "vulgar".
Outra música muito conhecida que é tocada no filme e está presente na trilha sonora que postarei, é "If six was nine", do The Jimi Hendrix Experience. Outra letra bem psicodélica, coisa que era mais do que comum na época. Os graves de Noel Redding lembram muito os walking bass do jazz nessa música, casando com a bateria acelerada de Mitch Mitchell e a guitarra mais do que dispensável de comentários de Jimi Hendrix, no final da música ainda temos uma espécie de improviso psicodélico muito elétrico e lisérgico.
Uma das mais psicodélicas do disco ficou a cargo do The Eletric Prunes, com a música tradicional "Kyle Eleison/Mardi Gras", os vocais nessa música lembram muito um coro religioso somente com vozes e mais nada, só que ae chega a psicodelia após cada estrofe da música, e eles não deixam a desejar nesse aspecto, vem a toda força com guitarras distorcidas e muitos pratos para fazer um efeito mais "misterioso" na canção, e conseguem fazer isso com sucesso..apesar da música não ser nem um pouco enjoativa ou coisa do gênero.
Agora vem uma música que, para mim, é a melhor do filme. Roger Mcguinn canta a sua versão de "It's alright ma(I'm only bleeding)", de Bob Dylan. Apesar de ser um grande fã do mestre Bob Dylan, tenho que assumir que a versão de Roger Mcguinn é centenas de vezes melhor do que a de Dylan, o peso que ele conseguiu colocar na música somente usando sua voz, um violão e uma gaita é coisa que te faz pensar a respeito quando compara com a de Bob. Sem dúvida vale a pena dar destaque a essa canção que você vai ouvir de novo quando acabar.
E para fechar esse albúm-chave da contracultura, mais uma vez teremos Roger McGuinn tocando uma letra de Bob Dylan, e dessa vez o compositor fez a letra especialmente para o filme. "The Ballad Of Easy Rider" aparece nos créditos finais do filme e segue o mesmo estilo de sua antecedente; violão, gaita e a voz incrivelmente semelhante de Roger a de Bob Dylan. Uma música que termina perfeitamente um albúm que fez parte de um dos filmes mais importantes dessa época cheia de freaks nos quais todos já quiseram ser um dia.
Download do disco
Abraços obesos!
E o filme Easy Rider, dirigido e co-estrelado por Denis Hoper, mostra exatamente o que foi a contracultura ao contar a história de dois amigos que saem pelos Estados Unidos em cima de suas motos para chegarem ao Mardi Gras, espécie da carnaval estadunidense que ocorre todo ano em Nova Orleans. Durante as viagens e tomadas gravadas na estrada em cima das motos, podemos ouvir um verdadeiro festival de pérolas da contracultura americana sendo executadas, de Steppenwolf até Jimi Hendrix passando por The Byrds e The Weight.
No filme ainda temos a presença de Peter Fonda, que estrela o filme ao lado de Dennis Hoper, e do mestre Jack Nicholson que faz o papel de um simpático e ingênuo advogado que os acompanha na viagem durante parte do filme em uma atuação que quase lhe rendeu prêmios de ator revelação do ano de 1969.
Na trilha sonora começamos com a lenta "The Pusher", do Steppenwolf, música que abre bem o disco e o filme já que fala dos traficantes e dos muitos usuários de drogas psicodélicas da época. Com um riff bem marcante e um ritmo muito tranquilo com a voz rouca de John Kay, a música tem um peso perfeito e com uma letra bem polêmica pra época : "You know I've smoked a lot of grass/O' Lord, I've popped a lot of pills".
Na sequencia temos outra do Steppenwolf, essa é praticamente impossível alguém nunca ter ouvido, "Born To Be Wild" é praticamente um hino desde a época em que o Steppenwolf a lançou, nem vou comentar sobre esse clássico porque todos já ouviram pelo menos uma dúzia de vezes na vida! E não, você nunca enjoará dela hahahaha.
Mais uma com a cara dos anos 60 aparece, o The Weight toca a cool "Smith", cheia de backing vocals com um piano de fundo bem agradável..pra falar a verdade toda a música é muito agradável, daquelas que você pode fechar os olhos e se imaginar numa estrada ensolarada dirigindo sem rumo.
Uma das faixas mais marcantes do disco vem com o The Byrds e sua canção "Wasnt born to follow", música que abre com um riff bem amigável e mais uma vez nós vemos uma música muito agradável de se ouvir, com vocais divididos em mais uma canção que se pode imaginar viajando por uma longa estrada.
A completamente sem noção"If you want to be a bird", do "The Holy Modal Rounders", apesar de ser uma música muito lunática devido a sua letra sem nexo, é ótima e engraçada, principalmente na cena do filme..com Jack Nicholson imitando um passarinho em cima da Harley-Davidson no meio da estrada.
A cheia de slides "Don't Bogart Me" do Fraternity Of Man, vem novamnte com uma letra falando de drogas, mas especificamente da marijuana, outra música que contém um tema que é um tabu e consegue ser engraçada e ao mesmo tempo não ser "vulgar".
Outra música muito conhecida que é tocada no filme e está presente na trilha sonora que postarei, é "If six was nine", do The Jimi Hendrix Experience. Outra letra bem psicodélica, coisa que era mais do que comum na época. Os graves de Noel Redding lembram muito os walking bass do jazz nessa música, casando com a bateria acelerada de Mitch Mitchell e a guitarra mais do que dispensável de comentários de Jimi Hendrix, no final da música ainda temos uma espécie de improviso psicodélico muito elétrico e lisérgico.
Uma das mais psicodélicas do disco ficou a cargo do The Eletric Prunes, com a música tradicional "Kyle Eleison/Mardi Gras", os vocais nessa música lembram muito um coro religioso somente com vozes e mais nada, só que ae chega a psicodelia após cada estrofe da música, e eles não deixam a desejar nesse aspecto, vem a toda força com guitarras distorcidas e muitos pratos para fazer um efeito mais "misterioso" na canção, e conseguem fazer isso com sucesso..apesar da música não ser nem um pouco enjoativa ou coisa do gênero.
Agora vem uma música que, para mim, é a melhor do filme. Roger Mcguinn canta a sua versão de "It's alright ma(I'm only bleeding)", de Bob Dylan. Apesar de ser um grande fã do mestre Bob Dylan, tenho que assumir que a versão de Roger Mcguinn é centenas de vezes melhor do que a de Dylan, o peso que ele conseguiu colocar na música somente usando sua voz, um violão e uma gaita é coisa que te faz pensar a respeito quando compara com a de Bob. Sem dúvida vale a pena dar destaque a essa canção que você vai ouvir de novo quando acabar.
E para fechar esse albúm-chave da contracultura, mais uma vez teremos Roger McGuinn tocando uma letra de Bob Dylan, e dessa vez o compositor fez a letra especialmente para o filme. "The Ballad Of Easy Rider" aparece nos créditos finais do filme e segue o mesmo estilo de sua antecedente; violão, gaita e a voz incrivelmente semelhante de Roger a de Bob Dylan. Uma música que termina perfeitamente um albúm que fez parte de um dos filmes mais importantes dessa época cheia de freaks nos quais todos já quiseram ser um dia.
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