quinta-feira, 17 de março de 2011

Sandrose - Sandrose


Sandrose é uma banda francesa de rock progressivo sinfônico.Este álbum é pouco desconhecido,mas isso não tira o mérito de ser um clássico.Foi gravado em 1972 e possui belas melodias no Hammond e no Mellotron,dando o ar sinfônico ao disco.
A primeira faixa " Vision " começa com uma guitarra que,para mim, lembra muito um violão de flamenco,não sei por que.
Depois em " Never Good At Sayin' Good-Bye " já temos uma música mais calminha,sem os vocais gritantes de Rose Podwojny,que são predominantes no resto do disco.
A terceira faixa " Underground Session " é a mais longa do disco,com 11 minutos.Ela começa com um duo de baixo e teclado,onde entram depois os backing vocals e mais pra frente um maravilhoso e muito bem feito solo de guitarra,além do solo de teclado feito com maestria.Sem dúvida é a melhor faixa do álbum todo,apesar do comprimento da faixa.
Posteriormente,temos " Old Dom Is Dead" começando com uma guitarra bem dramática e backing vocals.Maravilhosa música,pena que a vocalista grita muito no final da música....
Em " Take To Him Away" predomina o Hammond,que conduz a música muito bem.

Este é um disco maravilhosa,com melodias bem simples,mas muito bem trabalhadas.Na minha opinião,o que realmente atrapalha um pouco em sua audição é o vocal extremamente gritante em algumas músicas.Clássicão do prog francês.

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Abraços Obesos!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Biglietto Per L'inferno - Biglietto Per L'inferno

Vou escrever sobre este maravilhoso álbum de rock progressivo/hard rock italiano,que com certeza foi um dos álbuns mais importantes para o progressivo fora do eixo EUA-Inglaterra-Alemanha.

A banda Biglietto per l'inferno foi formada em 1972,dois anos antes do álbum homônimo.É um disco magnifíco,com inclusões pontuais de teclados e flautas,embalados por letras fortíssimas.Pena que só possui cinco faixas...

Na primeira faixa,"Ansia", vemos os toques de flauta,guiados ora por um piano,ora por um Hammond(som de órgão de igrja,mais ou menos),que dá o tom progressivo do álbum.
Seguido de "Confessione" temos um lado mais hard rock,com uma letra dizendo se o assassinato cometido pelo eu lírico foi legítimo ou não.

Depois vem "Una Strana Regina" temos o som do Hammond de novo,acompanhado de um Mini-Moog.Esta música possui uma mudança de ritmo impressionante,guiada pela flauta do vocalista.Depois,ela volta a ser calma,retornando a um ritmo mais caótico,liderada desta vez pela guitarra.
A quarta música se chama "Il Nevare" e é uma das mais calminhas do disco.Novamente,predominam a flauta e o Hammond,mas sem esquecermos de uma boa linha de baixo e riffs marcantes de guitarra.
A próxima faixa "L'Amico Suicida" tem treze minutos e é a melhor faixa do álbum. Realmente a música tem um tom meio assombroso,como se fosse uma preparação para o suicídio,depois a hora do ato e finalizando com o descanso em paz(?).

Enfim,para os amantes do hard/prog rock,este é um álbum indispensável.

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Abraços Obesos!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

John Frusciante - Curtains





Depois de nossas férias aqui no blog,vou postar um dos meus discos favoritos.Este álbum faz parte da carreira solo do ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers.Foi produzido em 2005 e tem a participação de vários amigos de frusciante, como Flea, Josh Klinghoffer( atual guitarrista do RHCP), Omar Rodríguez-López , entre outros.
O disco é super intimista,mostrando um John Frusciante que não vemos no Red Hot.Aqui,podemos vê-lo tocando piano e contrabaixo também.

A primeira faixa "The Past Recedes" é uma linda canção que alterna entre 3/4 e 4/4.Essa música é única que possui um clipe da carreira de Frusciante.
Temos depois "Anne" em que faz uma belíssima mistura melódica entre o violão e sua voz na garganta.
"The Real",assim como a maioria das músicas do álbum é somente violão e voz,mas não deixa de ter uma das mais belas letras de todo disco.
"A Name" é outra linda música,finalizada com maestria por uma simples linha de gaita.
Em "Hope",podemos ver o quão Frusciante é uma pessoa triste,pois insiste em mostrar que a esperança do mundo acabou e tudo se tornará trevas.
Mais tarde em "Time Tonight" temos uma das especialidades de John:cantar em falsete.
Essa música é uma das mais belas já compostas em todos os tempos.
Depois em "Leap Your Bar",vemos o talento de John ao tocar piano com maestria.

Enfim,é um álbum melancólico,perfeito para se ouvir deitado na cama para pensar sobre sua vida.Altamente recomendado!

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Abraços Obesos!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

[Vídeo] Paul McCartney & Rockestra - Lucille (1979)


Eu tava querendo começar as postagens do ano com um disco, mas hoje me peguei assistindo novamente esse vídeo maravilhoso do Concerts for the People of Kampuchea, de 1979. Show organizado por Paul McCartney e Kurt Waldheim para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra no Camboja e Vietnam.
Esses dois dias de apresentação contaram com os mais diversos artistas da época, artistas conhecidos e outros que estavam começando a fazer sucesso, como o The Clash e o The Pretenders. Contavam ainda bandas como: The Who, Wings, Elvis Costelo, The Specials e integrantes de várias outras bandas, como Robert Plant e John Paul Jones, do Zeppelin.

O vídeo que postarei é uma apresentação de todos os músicos juntos, no último dia e última apresentação de todo esse espetáculo sem igual.
A música é Lucille, do Wings, interpretada pela Rockestra (trocadillho bem pensado) e, mesmo com a qualidade do vídeo não sendo das melhores, já da pra ver o que uma porção de gênios da música não faz num palco, um som que pesava mais de duas toneladas nos seus ouvidos. Só os melhores.
Ah sim, no meio da gravação você irá reparar que Pete Townshend, do Who, aparece com uma cara de lunático do lado de Paul e não está usando o "uniforme" da Rockestra. Isso ocorre porque ela estava completamente bêbado antes da gravação e se recusou a usar o uniforme, Pete nessa época sofria com os problemas de drogas e álcool, mas que é engraçado..é haha
E pra quem quiser saber quem são os músicos que formam a Rockestra(que são muitos), basta prestar atenção em Billy Connoly no começo do vídeo, que ele cita a todos um por um.

Abraços obesos!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ausência coletiva.

Olá pessoal que costuma ler o blog, estou aqui em nome dos 4 integrantes do Som de Peso pedindo desculpas pela nossa ausência geral nesses últimos 20 dias, aproximadamente.
Quem entra aqui de vez em quando deve ter percebido que não tem postagem nova desde o dia 30 de dezembro..e devem ter imaginado que ficou parado tanto tempo por causa das férias, né? Se não imaginou isso: Não, o blog não parou e vamos continuar com postagens musicais por aqui por um loongo tempo, eu espero =]
Mas sabem como é, né? Férias: alguns viajam, outros passeiam, outros viajam e passeiam, outros não fazem nada e coçam o saco o dia inteiro.
E foi exatamente isso que nós todos fizemos e estamos nos sentindo muito bem hahaha.
Bom, feliz ano novo atrasadão pra todo mundo que acompanha o blog, feliz ano novo também pra quem só vem aqui de vez em nunca quando não tem nada melhor pra fazer..e feliz ano novo também pra quem acha isso aqui um lixo, porque as pessoas boas devem amar seus inimigos. HAHAHA

E que esse ano possamos, nós quatro, influenciar musicalmente uma cacetada de gente!! =D

Abraços obesos!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Jethro Tull - Thick As A Brick (1972)

Bom, havia dito que ia postar um disco aqui da próxima vez e vou cumprir com o que falei.
O disco de hoje é de uma banda que nunca foi tão famosa assim e não está presente na mídia, pelo menos não hoje em dia, mas acho que todos já ouviram falar pelo menos alguma vez, o Jethro Tull.
O inglês Ian Anderson formou a banda em 1967, e de lá pra cá, já houveram diversas mudanças na formação e na sonoridade da banda, mas nunca afetando na sua qualidade ou essência, se é que da pra entender o que eu falo.
O Jethro Tull é uma banda que eu nunca consigo e nem nunca conseguirei classificar em algum gênero, alguns dizem que é progressivo, nem ferrando. Outros dizem que é folk, também não é. Há quem diga que eles tem um pouco de blues em sua mistura. Sim, de fato há isso, mas na verdade o Tull se classifica nesse gênero: mistura. Não há um albúm que não possa perceber-se uma variedade ou influência enorme de estilos, sons e instrumentos diferentes, o que e enriquece e dá uma originilidade incrível para a banda.
O albúm postado aqui agora é um dos grandes sucessos da banda, e não é o Aqualung, haha.

"Thick as a brick" é o disco sucessor do arrebatador "Aqualung", que jogou a banda para o reconhecimento artístico no final da década de 60 e começo da 70.
Como uma espécie de resposta para os críticos que disseram com fervor e certeza que o albúm antecessor da banda era um albúm conceitual, quando na verdade não era, Anderon e seus companheiros de banda decidiram fazer um albúm que girasse inteiramente em torno de um conceito.
Conceito esse que é baseado no poema de um garoto fictício que teme as mudanças que podem ocorrer em sua vida conforme vai envelhecendo, chamado Gerald Bostock, criado pelo multi-instrumentista, vocalista e dono da banda, Ian Anderson. O fato do flautista ter creditado todas as letras do albúm como sendo dele e de Gerald Bostock, só alimentou as crenças de que o garoto, de fato, existia. O que, diga-se de passagem, ainda há quem acredite que ele existe mesmo.

O fato de eu estar falando mais da letra do disco do que de sua música é meio incomum, geralmente eu falo mais sobre a música e quase nada de sua letra. Mas como esse é um albúm conceitual, sua letra é de extrema importância para poder se aproveitar ao máximo a experiência de ouvir tamanha fusão musical criada pelo grupo.
Mas já que é pra falar da música no geral, vou tentar dar uma rápido e completa explicação, tarefa muito difícil, já que o disco possui apenas uma música! Sim, apenas uma música com 40 minutos de duração e que é dividida em duas partes. Hoje em dia um disco desses não seria nem ouvido pela gravadora, mas na época chegou a ficar várias semanas no topo das paradas estadunidenses e ao redor do mundo.
Pra falar a verdade eu sou um cara meio chato quando o assunto é músicas demasiadas longas, você começa a ouvir e, mesmo se ela for boa, chega uma hora em que você já parou de prestar atenção há um tempo e acaba perdendo as melhores partes. Claro que há as genialidades a parte (Echoes > Pink Floyd; Mountain Jam > The Allman Brothers Band, etc) mas às vezes temos que concordar que muitas músicas épicas tem uma duração muito desnecessária.
Voltando ao disco, não consigo explicar o que Thick As A Brick tem, mas ele te prende de uma forma realmente interessante e você acaba ouvindo o disco inteiro e nem vê o tempo passar, as bases simpáticas e grudentas feitas no violão no começo, o peso do rock no meio, oscilações entre calmo e "nervoso", tudo isso contribui de um jeito magnífico no resultado final desse albúm único e maravilhoso, de uma banda que, com o tempo, acabou ocultando-se, mas que ainda hoje tem uma vasta legião de fãs fiés ao redor de todo o mundo, inclusive aqui, Brasil.

Se você detesta músicas longas, albúns conceituais e todo esse tipo de coisa, nem pense em baixar esse albúm. E também não o baixe achando que é algo progressivo à lá anos 70, é simplesmente um orgasmo musical com tudo o que se tem direito a ouvir e mais um pouco. Nada mais.

Download do disco

Abraços Obesos

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

[Vídeo] John Lennon - Happy Xmas (War is Over)

Prometo que vou postar um disco da próxima vez, sei que estou postando muitos vídeos ultimamente..mas esse aqui não tinha como não postar, principalmente hoje.


Essa música é muito conhecida e acho que todo mundo fã de Beatles já ouviu ela, né?
Não sei o motivo, mas todo o Natal eu passo o dia inteiro ouvindo-a e vendo esse vídeo que sempre achei bem forte e, ao mesmo tempo, maraviloso, uma combinação perfeita de uma bela música e com imagens fortíssimas da guerra, morte, destruição e miséria. Simplesmente genial a idéia de um clipe assim, mesmo que seja deprimente, coisa que muita gente gosta de ficar nessa época, depressivo, não entendo o motivo, sempre fico feliz no Natal. Mas voltando ao que estava falando..
No vídeo há imagens de muçulmanos, vietnamitas, estadunidenses, africanos e várias outras etnias do mundo, sempre mostrando cenas chocantes e tristes, crianças mortas, pais aos prantos com seus filhos mutilados no colo, pessoas sendo carregadas, conhecidos se abraçando após uma explosão..e tudo isso com a música esperançosa e linda de Lennon ao fundo, incrivelmente brilhante quem fez isso.

É, guerras e desgraças acontecerão no mundo pra sempre até o final de tudo e não adianta tentar mudar, mas quem sabe um dia, daqui centenas e centenas de anos as coisas não mudem =]


Feliz Natal.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Beck - Sea Change (2002)

Então, aqui é o Gabriel. Não sei me apresentar. Então as minhas postagens vão fazer o favor. Quem sabe com o tempo vocês não conhecem um pouco mais sobre quem eu sou. Porque a minha vida é a música. E para cada momento pelo qual passamos sempre haverá uma música presente, sempre haverá uma trilha sonora. Coisa parecida. Mas chega dessa bosta e vamos ao que interessa.

Talvez o melhor álbum da década passada. Mas com certeza o melhor álbum da carreira de Beck Hansen, ou só Beck. Você quem sabe. O álbum consegue retratar da maneira mais profunda o estado máximo de melancolia e solidão que uma pessoa consegue atingir (foi produzido pelo produtor do Radiohead, Nigel Godrich). O título e as músicas foram inspirados no fim do relacionamento de Beck com sua namorada de longa data. Os arranjos, melodias, letras também foram de muitas formas influenciadas por artistas como Serge Gainsbourg, Nick Drake e até pelo Blood On The Tracks do mestre Zimmerman.

Eleito como um dos 500 melhores álbuns de todos os tempos pela revista Rolling Stone, e recebendo 5 estrelas pelo allmusic, NME e pela própria Stone. É um bom álbum para se escutar nessa época de fim de ano, quando todas as pessoas tornam-se mais introspectivas e passam a pensar de alguma forma no futuro. Não é o tipo de música para se escutar em festas, coisas do tipo. Deve ser escutado em um lugar calmo, fechado, sozinho de preferência. Ou com alguma pessoa que tenha algum significado especial para você. De qualquer forma, aproveitem. Pois as melhores coisas nem sempre são ditas. Normalmente são expressadas pela melodia, pelas letras ou até em silêncio.

The Golden Age, é a faixa de abertura. “put your hands on the wheel, let the golden age begin...” chega a ser curioso e estranho ao mesmo tempo, já que nós nunca sabemos quando nossa “golden age” começa e sim quando ela termina. Abrace essa música. Sinta toda a melancolia que Beck tenta nos passar: “...the sun doesn’t shine, even when it’s day”. Com arranjos folk e vocais em harmonia, é uma boa música para se ouvir enquanto viaja.

Paper Tiger, a melodia não diz tanto nessa música, vale mais pela letra e pelos arranjos e a orquestra que acompanha. Beck mostra seu lado Nick Drake, com vocais baixos e harmonizados.

Guess I’m Doing Fine, é até difícil de falar sobre essa. Principalmente quando uma música diz alguma coisa para você. Acho que é a faixa que melhor define o estado de perda de Beck, de uma forma irônica e ao mesmo tempo triste: “it’s only you that i’m losing, guess i’m doing fine.” Seguindo os moldes do disco, com arranjos folk, segue com um piano acompanhando o violão e uma guitarra bem apagada chorando ao fundo. De longe a melhor do disco todo. A mais triste. E percebemos que apesar do sentimento de raiva pela perda, a revolta e a ironia; ainda há um sujeito triste, decepcionado e infeliz: “see the things that i’ve been missing, missing all this time...”

Lonesome Tears, o nome já diz por tudo. Beck se questiona e procura as respostas pelo fim do relacionamento. Segue os moldes de Paper Tiger com vocais harmonizados seguidos por uma orquestra.

Lost Cause, a mais conhecida. Sei lá. Não tem muito o quê falar sobre ela. É o tipo de coisa que você precisa escutar para saber. Você precisa ter passado por algo parecido pra poder entender. Senão vai achar que tudo isso é um monte de merda. Nela percebemos o cansaço, a fadiga de continuar a insistir em algo que se tornou uma causa perdida. “i’m tired of fighting, fighting on a lost cause” pode ser o pensamento suicida ou a desistência de insistir em um amor perdido.

End Of the Day, nos conta sobre os dias que passam rápido ou os que demoram a eternidade para poder terminar. Que no caso do nosso Beck diante do seu sentimento, diante da sua perda, é algo torturante. E no final das contas, o final vai ser sempre o mesmo para o broken-hearted. Tem uma melodia calma, acompanhada por uma slide guitar e maracás. É boa para se ouvir antes de dormir. No verdadeiro End of The Day.

It’s All In Yout Mind, já havia sido lançada antes no One Foot In The Grave (a versão com bonus tracks). Segue uma linha folk melancólica. Não há muito para se falar sobre essa faixa.

Round The Bend, acho que é a mais Nick Drake. Nos lembrando Way To Blue. É um tanto quanto perturbadora, pelos seus vocais baixos e pela orquestra que segue massacrando o violão.

Already Dead, confirma o verdadeiro desapego pelo amor perdido. Ele prefere que morra logo esse sentimento, do que o ver sendo desfeito aos poucos. É uma ode à auto-destruição, ao desapego amoroso.

Sunday Sun, acho que é a mais alegre. Tem coisa mais confortante que o sentimento pelo domingo de manhã? Tudo bem que ele vai sendo perdido ao longo do dia. Mas é um sentimento de calma. Tal como essa música tenta nos passar. Como se o pior tivesse passado. Como se ele soubesse que haveria melhoras e um futuro menos obscuro que o presente. Os vocais seguem harmonizados com todos os outros instrumentos.

Little One, parece que ao final do disco as letras tornam-se menos obscuras e pessimistas. Como se a vitalidade retornasse aos poucos para o corpo morto e despedaçado de Beck. Não há o que explicar, a letra é vaga. Para mim não significa nada, mas para Hansen pode dizer tudo e mais um pouco.

Side Of The Road, com o violão em destaque nos lembra Nick Drake. Ele pede ajuda para poder fugir. Fugir do dia a dia massacrante e assassino. Mas também nos cria uma idéia de que todos os seus problemas estão passando pelo lado da estrada principal. Estão indo embora. Aos poucos de forma gradual.

Ship In a Bottle, bonus track. Mas não por isso a menos importante. Segue com vocais harmonizados e sintetizadores moog entre os outros instrumentos padrões. Uma das faixas mais bonitas. E deixada para ser uma bonus track japonesa. Haha.

Acho que esse trecho da Ship In A Bottle define o disco inteiro: "but I know you’re gonna try to live without a love, by and by... but that’s not living, that’s just time going by." Quanto mais tentamos viver sem amor, mesmo que seja amor-próprio, mais perdemos tempo. Não é o tipo de coisa para tentar compreender, se você fica tentando entender e decifrar o que é amar, parabéns, você é um retardado. Nunca vamos conseguir pegar os verdadeiros significados das letras, quanto mais tentarmos explicar aqui, mais confuso vai se tornar. De qualquer forma, aproveitem.


Abraços (não tão) obesos.


Download do disco

domingo, 19 de dezembro de 2010

[Vídeo] U2 - News Year's Day


Uma música bem com a cara do U2, assim que resumo essa faixa do disco War, de 1983, que é uma das minhas preferidas da banda.
Esse show que peguei  o vídeo é do DVD da banda gravado na Irlanda (terra natal dos músicos) e com um nome bem apropriado, Go Home, se você assistir ao show inteiro conseguirá perceber uma energia bem diferente do que dos shows como em Chicago e no Rose Bowl, no Slane Castle(onde o show foi gravado) a banda parece que está mais a vontade, realmente se sentindo em casa.

Mas falando da música..
Uma coisa que sempre admirei em canções de qualquer tipo, é quando um dos músicos começa fazendo um riff ou frase no seu  instrumento e a continua por toda a canção, com poucas variações. Claro que disso o mundo da música está cheio, mas me refiro a aquelas em que o som fica na sua cabeça o dia inteiro..e é exatamente isso que o baixista Adam Clayton faz em "News Year's Day", uma linha simples que se repete e se nivela sobre as outras, ainda mais na versão ao vivo, que fica com uma distorção beem de leve pra dar mais ganho no som. Depois do baixo temos o piano tocado simplória e maravilhosamente pelo The Edge, que também deixa sua marca no microfone, com backing vocals sempre de qualidade e, em algumas músicas, até cantando mais do que o Bono, com a bateria simples e bem marcada de Larry..e quando chega a voz de Bono com sua mais do que incrível presença de palco, aí sim a música se completa de forma maestral.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Morphine - Yes (1995)


Boa noite pra todos os leitores! (: Primeiro acho que devo me apresentar, afinal, eu não sou o Hernan ou o Bruno. Pra quem não me conhece, Viviane, mas faça o favor de só chamar de Viviz. Maaais uma gordinha pro Som de Peso.
E agora sim, vamos ao que interessa: as honras musicais.
Escolhi como álbum pra minha primeira postagem o Yes, o terceiro de estúdio da banda americana Morphine. Um álbum tão bipolar, excêntrico e alternativo quanto eu mesma. haha
Falando um pouco mais sobre a banda: O Morphine foi uma banda formada no finalzinho dos anos 80 pelo gênio musical Mark Sandman que representava uma raridade: um dos poucos baixistas que são vocalistas também. Além dele integravam a banda o saxofonista Dana Colley e o baterista Billy Conway.
O disco sobre o qual vou falar, conta com 12 faixas intensas e extremamente fáceis de gostar. A primeira "Honey White" é a mais animada e contagiante do disco, tendo na sua introdução um solo de sax daqueles que fazem até morto sentir vontade de dançar. É a partir da segunda faixa, "Scratch" que dá pra começar a sentir porquê eu chamo o disco de bipolar. Se Honey White era só felicidade, Scratch apresenta versos que traduzidos para o português diriam algo como "Eu perdi tudo o que eu tinha / Estou começando do zero". Em seguida, é apresentado ao ouvinte a sequência "Radar / Whisper" que é a dose blues do álbum. Ambas as faixas são carregadas desse estilo tanto musicalmente quanto nas letras. E então finalmente chegamos na faixa que dá nome ao álbum. "Yes" é uma mistura de tudo o que você ouviu até agora: tão contagiante quanto Honey White, tão impregnante quanto a letra de Scratch e tão blues quanto Radar ou Whisper. Aprecio demais a escolha dela para denominar o disco, afinal, pra mim, Yes diz muito sobre toda a essência do Morphine enquanto banda. E é então que depois de um bom blues, vem o pop. É só se atentar a maneira como Sandman canta a próxima canção "All Your Way" de letra menos dramática, e melodia mais simples que as demais. O lado sexy (posso chamar de sexy? haha) vem com "Super Sex" em que todos os elementos da música, com o perdão da expressão, dão vontade de transar. (é sério ...) Desde o sax tocado de maneira extremamente sensual até a voz de Mark, super sussurrada. Um deleite (transem com essa faixa, vão por mim). E aí então, quando você não espera mais nenhuma surpresa ... você realmente não tem! "I Had My Chance" parece ser uma daquelas faixas que as bandas colocam nos álbuns apenas pra preenchê-los. Mas então, no melhor estilo poético, vem "The Jury" uma melodia simples, mas perfeita com uma letra inteira declamada. Sandman não dá nenhuma entonação mais cantada a The Jury, apenas pega as palavras e fala, como em um diálogo. Depois disso, você está quase morrendo. Tantas letras profundas, tanto espírito blues/jazz que você já nem mais vê o céu tão azul (dramatizei lindamente, falaê), aí o disco te apresenta "Sharks", uma música que te levanta novamente do mais profundo blues pro espírito em que o negócio começou: o jeito feliz-enjoy the life da primeira faixa. E então faltando apenas duas músicas para o fim é que vocês vão poder perceber e sentir comigo a bipolaridade genial desse disco. A penúltima "Free Love" é uma daquelas melodias agonizantes, que você não sabe o por que, mas sente o porquê de estar sendo puxado aos seus pensamentos mais loucos. O álbum poderia acabar assim ... mas não acaba. Ele guarda para o final, para a última canção, a melhor letra, melodia, interpretação: "Gone for Good" é tão linda, é tão um agrado aos seus ouvidos, é tão pulsante, que eu prefiro nem comentá-la. Vê se pega o link aí e baixa, vai.

Beijos (quase) Obesos.

Download do disco